outubro 30, 2004

Vem... voa

Voa
Revela-te
Entrega-te
Despe-te
Vem
Diz-me
Deseja-me
Desespera-me
Vem
Explica-me
Explora-me
Expõe-me
Vem
Refila-me
Rompe-me
Rasga-me
Vem
Reinicia-me
Excita-me
Devora-me
Voa!...

AlmaAzul (alter-ego)

outubro 28, 2004

Marcelo versus Paes do Amaral

Após a explicação à AACS de Marcelo Rebelo de Sousa quanto à sua saída da TVI, a resposta de Miguel Paes do Amaral não tardou. Ainda ontem à noite, o presidente da TVI defendeu-se, negando ter pressionado “o seu amigo” no que concerne ao conteúdo dos seus comentários.

Da sua intervenção no Jornal Nacional, fiquei a perceber três coisas:
- repete-se 300 vezes;
- foge ao assunto sempre que pode, passando para um discurso publicitário;
- contradiz-se com facilidade.

Resumindo, um perfeito político.

Onde está o mentiroso?

outubro 25, 2004

Mulher desconhecida!



Já corro, já fujo no negro intenso!
Sou água, sou fogo no negro do beijo.
Sou desejo profundo, na noite gracejo.
Louca sem rédeas, pois a ti pertenço!

Teu corpo é meu túmulo desejado!
Tua alma é meu céu azulado...
Tuas mãos as correntes que me amarram aqui.
Meu amor, prende-me em ti!

Meu corpo rejuvenesce a cada palavra tua,
O som inaudível da tua voz faz-me flutuar!
Deixa-me ser uma face da tua lua...
Deixa-me ver teu céu em noites de luar!

Não me deixes amar mais alguém!
Ergue altos muros em teu redor,
Onde não possa entrar mais ninguém!
E amarra a minha alma dentro deles, amor!

Faz com que cada curva de tua escultura corporal
Seja, para este espírito, a montanha mais bela do mundo!
Faz com que o teu perfume de mulher intemporal
Seja o único que eu consiga sentir a cada segundo!

Enlaça teu corpo no meu infernalmente
Faz de mim tua prisioneira amante...
Mas entra também para a mesma cela inconsequente!
Mulher desconhecida, és deslumbrantemente inquietante!

outubro 23, 2004

O voo do herói

Afinal, bastou um simples degrau para conseguir em segundos aquilo que os E.U.A não conseguiram em anos e anos de embargo...



Por mim, o Comandante-Chefe está desculpado. E, já agora, se alguém conseguir colocar um degrau destes à frente do Bush, agradeço!

outubro 20, 2004

Invicta Cidade

Ó Invicta cidade!
Porto onde abarco...
E me perco entre pontes.
Inimitáveis Imponentes
(Até Eiffel as fez!!!)
As tuas encostas socalcadas
São o leito aconchegante
Do sereno e frutuoso Douro...
E ainda tudo é invitado...
Pela minha alma azul...,
(Tal como o teu espírito de dragão)
Grita e rebate de novo o teu culto!

O Porto na direita das margens
E a dama Calem na oposta desta
Pela seiva original separados...
E ainda pelos Homens...
Do Portucalense culto...,
Do porto vinho único...,
Do Douro Porto
Da Foz à Aforada...
Da Ribeira das duas margens
Noctívagas e Inseparáveis...

Porto, onde me acho...
Porto, onde me perco...
A mirar-te...
Fascinante tela!
Porto culto!

E tu comigo...
Invicta e Invitada
Amada minha...
Hoje ao jantar!

AlmaAzul (alter-ego)

Mais um regresso...

E com ele... a chuva, a turbulência, o azul profundo...

«O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudade... sei lá de quê!» (Florbela Espanca)

[Dói.]

outubro 03, 2004

Se Maomé não vai à montanha...

E como montanha "espertalhona" e impaciente que sou, vou eu ter com a minha Maomé. Ou seja, lá vamos nós deixar este nosso canto ganhar um pouco de pó (durante uma semana).

Até ao regresso e boas leituras.

outubro 02, 2004

do lado de cá

branco e silêncio
nada além do oco
do vazio em mim
da ausência transparente
e da mulher do lado de lá
da minha porta fechada
de resto é sonho

e a minha utopia acabada!

Querem um carro? Tomem!


Estão fartos do vosso carro? Precisam de um novo? Querem ter um antes de tirarem a carta? Querem oferecer um às vossas sogras, trocando assim os obsoletos (e lentos) patins?

É simples, basta estacionarem à primeira aqui, e o carro é vosso. (Usem as teclas das setas: esquerda e direita para virar, cima para avançar e baixo para recuar.)

Caso não consigam, e uma vez que não há bela sem senão, terão de ouvir este magnífico chilrear durante 20 minutos, ininterruptamente!

Boa sorte. E não se esqueçam de colocar o cinto de segurança.

outubro 01, 2004

Cântico Negro*



"Vem por aqui" - dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí.

José Régio (in Poemas de Deus e do Diabo)

* sem dúvida, um dos mais belos poemas que já li...